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04/07/2021

Apneia obstrutiva do sono e Epilepsia

Qual a relação dessas condições?


Não é recente o reconhecimento da interação entre sono e epilepsia. Sir Willian R. Gowers, em 1855, ao observar pacientes institucionalizados percebeu que em 21% dos casos as crises ocorriam exclusivamente à noite.
A relação entre sono e epilepsia é complexa e recíproca. O sono pode ativar a ocorrência de crises e de descargas epileptiformes interictais (DEI) em algumas síndromes epilépticas identificadas no eletroencefalograma.


A correlação com a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) acontece em todos pacientes com Epilepsia?

Não. Pessoas com epilepsia generalizada que têm convulsões que surgem de ambos os lados do cérebro simultaneamente têm um risco maior de AOS em comparação com pacientes com epilepsia focal, onde as convulsões emanam de uma área do cérebro.
Um estudo publicado na edição de outubro do periódico Epilepsy & Behavior ajuda a entender melhor quem está em maior risco para AOS e, portanto, pode ter maior probabilidade de se beneficiar do tratamento.

O tratamento dessa síndrome melhora a sonolência excessiva diurna nos pacientes além de melhorar o controle de crises nos pacientes resistentes às medicações antiepilépticas.
No entanto, essa condição geralmente não é diagnosticada em pacientes com epilpesia e a compreensão do perfil de risco para AOS é importante.

No estudo foi apontado que a idade avançada, um índice de massa corporal mais alto e uma história de hipertensão arterial estavam associados a um maior risco de apneia obstrutiva do sono em pessoas com epilepsia.

Existem algumas teorias que justificam o maior risco de AOS em pessoas com epilepsia generalizada que incluem: maior disfunção do tronco cerebral; controle alterado dos músculas das vias aéreas superiores ou instabilidade no sistema de controle respiratório.

Os pesquisadores acreditam também que a administração geralmente precoce dos medicamentos nos pacientes com epilepsia generalizada e a utilização por um tempo maior pode ser um forte preditor.

Por fim, um ponto relevante é que pacientes com epilepsia possuem mais distúrbios do sono do que a população geral. 
Ou seja, mesmo diante da ausência da AOS nos pacientes com epilepsia, reconhecer e tratar os distúrbios do sono tem implicações não só na melhora da qualidade de vida, mas também no controle das crises epilépticas.