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20/06/2021

Esclerose Lateral Amiotrófica - O quão perto estamos da cura?

Como os cientistas estão trabalhando para achar a cura das doenças dos neurônios motores superiores


Os nossos neurônios motores superiores (NMS) têm um papel único para coletar, integrar e transmitir a entrada do córtex cerebral para os alvos da medula espinhal. Tudo isso para que o movimento voluntário se torne o resultado final.
Essa é uma população de neurônios clinicamente importante e relevante, tanto no contexto de lesões quanto de doenças neurodegenarativas.

Em doenças como a Paraplegia Espástica Hereditária (HSP) e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) a identificação, caracterização e manifestação da doença são consideradas como consequências da degenaração dos neurônios motores superiores ao longo do tempo.
Cientistas  estadunidenses descobriram que os neurônios motores superiores em camundogos e em humanos compartilham muitas características comuns da biologia do neurônio motor e exibem características idênticas de neuropatologia do nível celular. Como?

Por exemplo, camundongos com lesões nos neurônios motores superiores exibem dendritos apicais em degenração, o que também é observado com um amplo espectro em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica. Os roedores acabaram se tornando as grandes estrelas quando foi encontrado semelhanças no padrão degenrativo genético.

Em alguns casos da esclerose lateral amiotrófica identificamos potenciais fatores envolvidos na gênese da doença e que foram utilizadas no estudo em questão. A mudança genética em alguns casos herdados de ELA altera uma enzima abundante dentro das células: a SOD1; Outra alteração poderia ser a formação da TDP-43, a proteína patológica principal na ELA, com pelo menos 60 mutações no gene.

É válido ressaltar que essas são duas causas distintas e, principalmente, não sobrepostas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Ser capaz de idenfiticar um composto que melhora a saúde e estabilidade dos neurônios que se tornam dentes devido a essas duas causas diferentes teria implicações positivas para um amplo espectro de pacientes.

E a luz no fim do túnel? Será que já encontramos? Um estudo sobre o NU-9

Mesmo que os neurônios motores superiores sejam um componente crítico dos circuitos do neurônio motor, a ideia de que a sua degenração é secundária e um subproduto de uma degenaração em andamento diminuiu sua importância como um alvo celular potencial para intervenções terapêuticas.
Um novo estudo revelou que o tratamento com o composto NU-9 melhorou a integridade ultraestrutural das mitocôndrias e do retículo endoplasmático, ambas organelas excepecionalmente importante para a saúde do neurônio motor.

A capacidade do NU-9 de melhorar a integridade das mitocôndrias e do retículo endoplasmático é excepcionalmente significativa, porque, embora as causas subjacentes da doença sejam heterogêneas, muitas das vias convergem para a saúde e função da mitocôndria e do retículo endoplasmático.

Numerosos desafios ainda existem, especialmente para as doenças do neurônio motor superior. Em resumo, nessa pesquisa, os cientistas da Northwestern University, em Illinois, descobriram que os defeitos mitocondriais e problemas com o retículo endoplasmático são observados tanto em neurônios motores superiores de pacientes com ELA  e também nos modelos com camundungos .

O NU-9, um composto que atravessa a barreira hematoencefálica com propriedades farmacêuticas favoráveis, tem a capacidade única de aumentar a integridade citoarquitetural de neurônios em degenaração e, o mais importante, de interromper a degenração progressiva.
Ainda será necessário mais testes para confirmamos essa relação de causa e efeito do nossos sistema nervoso, mas, ainda assim, temos muito o que comemorar com essa grande descoberta.


FONTES:

Clinical and Translational Medicina - "Improving mitochondria and ER stability helps eliminate upper motor neuron degenaration that occurs due to mSOD1 toxicity and TDP-43 pathology"
Imagem: freepik.com (jcomp)