×

20/06/2021

A perda do olfato em Distúrbios Neurológicos

Como o olfato pode ser alterado em condições como a Doença de Parkinson e Doença de Alzheimer?


O olfato é o sentido que impulsiona o comportamento ao longo de milhões de anos.
Seja procurando alimento, acasalando, se unindo ou reconhecendo predadores, o nariz tem sido uma fonte poderosa de informação.

Muito além de responder a pergunta: "O que há para o jantar?", as áreas do cérebro que processam o cheiro também estão envolvidas na emoção e na memória. E é por isso que um sopro de canela pode evocar, por exemplo, memórias de infância da torta de maça da mãe.


Se você pedir a uma pessoa comum para classificar a importância em sua vida dos sentidos da audição, visão, ofalto e paladar em uma escala de 1 a 10, a maioria das pessoas provavelmente classificará a visão e a audição em torno de 9 ou 10 e, o olfato e paladar por volta de 5.
Uma vez que o olfato e paladar são perdidos, sua importância na vida cotidiana- desde a detecção de uma comida estragada, perceber quando você está usando muito perfume ou avisar sobre um incêndio - torna-se muito mais óbvio.
perda do sentido do olfato pode ser devastador e isso pode diminuir seriamente a qualidade de vida e segurança de uma pessoa.

Na década de 70, pesquisadores descobriram que o cheiro é comprometido em condições neurodegenarativas, como a Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Doença de Huntington e Esclerose Múltipla. Agora, eles estão descobrindo que a perda do olfato pode ser um sintoma característico nos estágios iniciais de muitas doenças.
Foi observado que em até 90% dos casos de Doença de Parkinson a perda do olfato foi encontrada em algum estágio, mas só 28% dos pacientes relatam essa queixa e 72% não sabiam que tinham um distúrbio olfativo antes de se submeter a testes padronizados. Isso é maior do que a prevalência de tremor, um sinal CARDINAL do distúrbio.

Os odores entram na cavidade nasal e viajam por um conjunto de células no teto do nariz chamado de receptor olfatório; Quando um aroma atinge um receptor, ele envia um sinal ao cérebro que diz "oh, isso é sorvete de baunilha" ou "bacon!!". Se os receptores estiverem bloqueados ou mortos devido ao envelhecimento ou a certas condições médicas, o cheiro não será percebido.
Pessoas com perda de olfato têm quase 2x mais probabilidade do que pessoas com função olfativa normal de sofrer acidentes relacionados ao cozimento, serem expostas a um incêndio ou comer alimentos estragados ou substâncias tóxicas.

Uma solução para a perda pode ser através do realce dos sabores mastigando bem e alternando mordidas de diferentes alimentos em uma única refeição. Ambas as táticas estimulam os receptores de sabor e cheiro. Isso evita quas as papilas gustativas fiquem tão "acostumadas" com um sabor e que a comida fique sem gosto. A proposta é brincar com a textura e a temperatura para criar sensações na boca.

Estudos em animais sugerem também que a exposição aos odores pode aumentar alguma regenração na periferia (células olfativas do nariz) e estimular a formação de conexõe sinápticas adicionais nas estruturas cerebrais centrais, incluindo bulbo olfatório. A intenção é nunca deixar de estimular os sentidos.